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CAPÍTULO 18:

 


(CENA 1 – CASA DE GUSTAVO/INT./DIA)

Adriana surpresa – Gustavo... Eu não to entendendo mais nada. Você poderia explicar?

Gustavo – calma gente, é que um dia, quando eu tinha lá os meus dez anos, ouvi vocês conversando no quarto, falando que um dia teriam que contar pra mim que sou adotado. Na época eu fiquei muito abalado, pensei que vocês não me queriam mais, só que depois eu percebi que tudo isso era bobagem da minha cabeça. Eu já esperava esse dia chegar.

Carlos sorrindo – então assim fica tudo mais fácil...

Adriana preocupada – e você não vai deixar de gostar de mim porque não sou sua mãe legítima?

Gustavo se aproxima da mãe – mãe... Eu sou cabeça aberta. Se você aceitou cuidar de mim mesmo eu não sendo seu filho de sangue, é porque sempre me amou muito, e pra mim, dona Adriana, você é minha mãe legítima. Foi você quem me criou, me educou, me ensinou tudo o que eu sei. É graças a você que hoje eu sou quem sou. Você sim é minha mãe!

Lágrimas escorrem dos olhos de Adriana, ela e Gustavo, emocionados, se abraçam. Um abraço como nunca deram antes, um abraço de mãe e filho...

Carlos – Gustavo, eu quero que você conheça sua mãe legítima.

Gustavo – eu não sei se quero conhecer essa mulher...

Carlos – meu filho, sua mãe era uma mulher fraca quando te teve, mas ela te ama muito, ela nunca deixou de pensar em você todos esses anos.

Gustavo – tudo bem, então. Eu aceito conhecer ela, mas o máximo que vou querer ser dessa mulher é amigo, porque mãe eu já tenho, e gosto muito dela.

Gustavo e Adriana novamente se abraçam. Carlos também abraça os dois, sorrindo.

(CENA 2 – CASA DE RODRIGO/INT./DIA)

Antonia assiste ao noticiário na TV, sentada em uma poltrona na sala.

No noticiário uma notícia chama sua atenção – “foi solto ontem pela manhã Gustavo Sanches Fernandes, mais conhecido como Loirinho do tráfico. Ernesto Ticiano da Silva confirmou que foi ele o responsável pelo porte de drogas e foi preso no lugar de Gustavo”.

Ao ver aquela notícia, Antonia abre um imenso sorriso.

Antonia – graças a Deus!

(CENA 3 – MOTEL/INT./DIA)

Depois de uma ardente tarde no motel, Jéssica se veste, Rodrigo ainda está só de cueca.

Jéssica – eu quero que você saiba, Rodrigo, que essa foi a nossa última vez.

Rodrigo – como assim?

Jéssica – eu não quero mais nada com você. Por sua culpa eu perdi o Gustavo pra sempre, você me obrigou a depor contra ele, agora ele não quer nem olhar mais na minha cara.

Rodrigo frio – tudo bem foi bom esse tempo que passamos juntos.

Jéssica estranha, ela achou que Rodrigo iria implorar para ela continuar com ele. Por não ter a reação que esperava de Rodrigo, Jéssica se enfurece.

Jéssica nervosa – e fique sabendo, doutor Rodrigo, que você vai me pagar! Ah se vai!

Jéssica termina de se vestir. Rodrigo olha pra ela com uma expressão de deboche.

(CENA 4 – CASA DE RODRIGO/INT./FINAL DE TARDE)

Paulo e Antonia tomam o café da tarde na sala de jantar.

Antonia – você ficou sabendo que aquele menino, o tal de loirinho do tráfico foi solto? Ele não era o verdadeiro culpado do crime e sim um tal de Ernesto que acabou confessando o crime.

Paulo – bandido confessando o crime... Cada dia eu me surpreendo mais.

Antonia – eu fico imaginando como o pai e a mãe desse menino sofreram o tempo que ele ficou atrás das grades...

Paulo – eu nem sei o que faria com o Rodrigo se ele se metesse em uma dessas.

Antonia – Rodrigo não pertence a esse mundo.

Paulo – a gente nunca sabe o que os filhos aprontam... Ás vezes fico pensando como Rodrigo é tão diferente de mim...

Antonia sente um aperto no peito, ela fica assustada.

Paulo – não se parece nem um pouco comigo... Fora que a personalidade dele é totalmente distinta da minha, acho que Rodrigo nunca vai trabalhar e aí quando eu morrer e ele colocar a mão na minha herança vai acabar com tudo num instante.

Antonia contornando a situação – geralmente é assim, os filhos se parecem mais com as mães.

Paulo toma um gole de café.

Antonia se retirando – eu vou dar uma saída, vou encontrar uma amiga minha.

Paulo – agora?

Antonia – sim, mas eu já volto.

Paulo – meu horário de café também já terminou. Tenho que voltar pra empresa. Quer que eu te leve à casa da sua amiga?

Antonia – não precisa, eu vou no meu carro.

Paulo – tudo bem então.

Paulo se levanta, ele e Antonia saem de casa.

(CENA 5 – CASA DE GUSTAVO/INT./FINAL DE TARDE)

Gustavo está sozinho em casa. Seus pais ainda não voltaram do trabalho. Ele aproveita para assistir TV. A campainha toca, Gustavo vai atender. Ele leva um susto.

Gustavo – quem é a senhora?

Antonia com os olhos marejados – eu posso te dar um abraço?

Gustavo sem entender nada – pode...

Antonia abraça Gustavo, muito emocionada.

CORTA PARA

Antonia e Gustavo estão sentados no sofá, Antonia toma uma água com açúcar, está mais calma.

Gustavo – a senhora está melhor?

Antonia – estou sim. Você é muito gentil.

Gustavo – até agora a senhora não me disse quem é.

Antonia – me desculpe. Meu nome é Antonia. Você não me conhece, mas eu te conheço e eu gostaria de te levar até a minha casa, eu queria te falar uma coisa muito importante.

Gustavo – e por que não fala aqui mesmo?

Antonia – tem que ser na presença de uma outra pessoa.

Gustavo – mas eu não conheço a senhora, não posso sair assim...

Antonia – confie em mim. Eu jamais te faria mal. Conheço seus pais, não sabe como eu te adoro...

Gustavo – acho que não terá problema, vamos então!

(CENA 6 – PRISÃO/INT./NOITE)

Carolina chega até a cela onde Ernesto está. Ernesto se surpreende.

Ernesto – Carolina? O que você ta fazendo aqui?

Carolina – eu vim te ver. Vim te dar os parabéns. Você tomou a atitude certa, Ernesto.

Ernesto – eu sei, minha consciência não me deixava em paz...

Carolina – eu quero que você saiba que ganhou uma amiga, eu vou te ajudar a se regenerar quando você sair daí.

Ernesto – eu sou um caco, não mereço sua amizade.

Carolina – não fala assim, eu gosto muito de você, Ernesto, e eu quero te ajudar. Você é uma pessoa maravilhosa...

Ernesto sorri.

(CENA 7 – CASA DE RODRIGO/INT./NOITE)

Gustavo e Antonia chegam.

Gustavo se admira com o tamanho e o luxo da casa.

Gustavo – nossa, que casa bonita a senhora tem dona Antonia!

Antonia sorri.

Gustavo – mas... Já estamos aqui, pode contar o que a senhora queria contar.

Antonia – precisamos esperar alguém chegar, lembra?

Gustavo – ah sim.

A porta se abre, quem entra é Rodrigo. Rodrigo se espanta ao ver Gustavo em sua casa.

Gustavo surpreso – RODRIGO? O que você ta fazendo aqui?

Rodrigo – eu que pergunto o que você ta fazendo aqui, seu intruso. Essa casa é minha.

Antonia – eu sou mãe do Rodrigo, Gustavo.

Rodrigo – mãe, o que esse cara ta fazendo aqui? Agora você deu pra trazer marginal pra dentro de casa?

Gustavo – eu não sou marginal!

Antonia – Rodrigo, eu preciso contar uma coisa importante aos dois.

Rodrigo se dirigindo a Gustavo – SAI DA MINHA CASA, AGORA! VOCE NÃO É BEM VINDO AQUI!

Antonia grita – RODRIGO, PÁRA COM ISSO! DEIXA EU FALAR.

Gustavo – fala logo, dona Antonia, porque a senhora que me desculpe, mas o seu filho é insuportável.

Antonia – Gustavo há muitos anos atrás eu tive um romance com seu pai. Foi uma história de amor incrível, maravilhosa, mas eu já estava noiva do Paulo e não queria me separar dele, minha família ficava fazendo pressão para me casar com ele e eu acabei me casando. Só que esse romance com o Carlos gerou um fruto, um fruto antes de eu conhecer o Paulo e eu, com grande dor no coração, acabei entregando essa criança pro Carlos cuidar. Ele e Adriana se conheceram e acabaram criando essa criança como filho legítimo.

Gustavo – já entendi tudo...

Rodrigo – que história é essa?

Antonia – durante esses anos eu nunca me separei do Carlos, sempre o amei e esse amor gerou mais um fruto, só que eu já estava casada com o Paulo e acabei dizendo a ele que o filho era dele, nem o Carlos sabia, a pouco tempo que ele descobriu que é pai do meu outro filho. E essas crianças são vocês, Rodrigo e Gustavo. Vocês são irmãos.

Gustavo, emocionado, fica com os olhos marejados. Antonia chora. Rodrigo olha espantado para Antonia.

Rodrigo – que isso? Que palhaçada é essa? É uma brincadeira, não é? DIZ QUE É UMA BRINCADEIRA! EU NÃO POSSO SER IRMÃO DO MEU PIOR INIMIGO!

(Encerra com a música Manhãs de setembro – Vanusa)
 

 


novela de
Renan Lima

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela
Lucas Roneres

REALIZAÇÃO
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