(CENA 1 – CASA DE GUSTAVO/INT./DIA)
Adriana surpresa – Gustavo... Eu
não to entendendo mais nada. Você poderia explicar?
Gustavo – calma gente, é que um
dia, quando eu tinha lá os meus dez anos, ouvi vocês
conversando no quarto, falando que um dia teriam que
contar pra mim que sou adotado. Na época eu fiquei muito
abalado, pensei que vocês não me queriam mais, só que
depois eu percebi que tudo isso era bobagem da minha
cabeça. Eu já esperava esse dia chegar.
Carlos sorrindo – então assim fica
tudo mais fácil...
Adriana preocupada – e você não vai
deixar de gostar de mim porque não sou sua mãe legítima?
Gustavo se aproxima da mãe – mãe...
Eu sou cabeça aberta. Se você aceitou cuidar de mim
mesmo eu não sendo seu filho de sangue, é porque sempre
me amou muito, e pra mim, dona Adriana, você é minha mãe
legítima. Foi você quem me criou, me educou, me ensinou
tudo o que eu sei. É graças a você que hoje eu sou quem
sou. Você sim é minha mãe!
Lágrimas escorrem dos olhos de
Adriana, ela e Gustavo, emocionados, se abraçam. Um
abraço como nunca deram antes, um abraço de mãe e
filho...
Carlos – Gustavo, eu quero que você
conheça sua mãe legítima.
Gustavo – eu não sei se quero
conhecer essa mulher...
Carlos – meu filho, sua mãe era uma
mulher fraca quando te teve, mas ela te ama muito, ela
nunca deixou de pensar em você todos esses anos.
Gustavo – tudo bem, então. Eu
aceito conhecer ela, mas o máximo que vou querer ser
dessa mulher é amigo, porque mãe eu já tenho, e gosto
muito dela.
Gustavo e Adriana novamente se
abraçam. Carlos também abraça os dois, sorrindo.
(CENA 2 – CASA DE
RODRIGO/INT./DIA)
Antonia assiste ao noticiário na
TV, sentada em uma poltrona na sala.
No noticiário uma notícia chama sua
atenção – “foi solto ontem pela manhã Gustavo Sanches
Fernandes, mais conhecido como Loirinho do tráfico.
Ernesto Ticiano da Silva confirmou que foi ele o
responsável pelo porte de drogas e foi preso no lugar de
Gustavo”.
Ao ver aquela notícia, Antonia abre
um imenso sorriso.
Antonia – graças a Deus!
(CENA 3 – MOTEL/INT./DIA)
Depois de uma ardente tarde no
motel, Jéssica se veste, Rodrigo ainda está só de cueca.
Jéssica – eu quero que você saiba,
Rodrigo, que essa foi a nossa última vez.
Rodrigo – como assim?
Jéssica – eu não quero mais nada
com você. Por sua culpa eu perdi o Gustavo pra sempre,
você me obrigou a depor contra ele, agora ele não quer
nem olhar mais na minha cara.
Rodrigo frio – tudo bem foi bom
esse tempo que passamos juntos.
Jéssica estranha, ela achou que
Rodrigo iria implorar para ela continuar com ele. Por
não ter a reação que esperava de Rodrigo, Jéssica se
enfurece.
Jéssica nervosa – e fique sabendo,
doutor Rodrigo, que você vai me pagar! Ah se vai!
Jéssica termina de se vestir.
Rodrigo olha pra ela com uma expressão de deboche.
(CENA 4 – CASA DE
RODRIGO/INT./FINAL DE TARDE)
Paulo e Antonia tomam o café da
tarde na sala de jantar.
Antonia – você ficou sabendo que
aquele menino, o tal de loirinho do tráfico foi solto?
Ele não era o verdadeiro culpado do crime e sim um tal
de Ernesto que acabou confessando o crime.
Paulo – bandido confessando o
crime... Cada dia eu me surpreendo mais.
Antonia – eu fico imaginando como o
pai e a mãe desse menino sofreram o tempo que ele ficou
atrás das grades...
Paulo – eu nem sei o que faria com
o Rodrigo se ele se metesse em uma dessas.
Antonia – Rodrigo não pertence a
esse mundo.
Paulo – a gente nunca sabe o que os
filhos aprontam... Ás vezes fico pensando como Rodrigo é
tão diferente de mim...
Antonia sente um aperto no peito,
ela fica assustada.
Paulo – não se parece nem um pouco
comigo... Fora que a personalidade dele é totalmente
distinta da minha, acho que Rodrigo nunca vai trabalhar
e aí quando eu morrer e ele colocar a mão na minha
herança vai acabar com tudo num instante.
Antonia contornando a situação –
geralmente é assim, os filhos se parecem mais com as
mães.
Paulo toma um gole de café.
Antonia se retirando – eu vou dar
uma saída, vou encontrar uma amiga minha.
Paulo – agora?
Antonia – sim, mas eu já volto.
Paulo – meu horário de café também
já terminou. Tenho que voltar pra empresa. Quer que eu
te leve à casa da sua amiga?
Antonia – não precisa, eu vou no
meu carro.
Paulo – tudo bem então.
Paulo se levanta, ele e Antonia
saem de casa.
(CENA 5 – CASA DE
GUSTAVO/INT./FINAL DE TARDE)
Gustavo está sozinho em casa. Seus
pais ainda não voltaram do trabalho. Ele aproveita para
assistir TV. A campainha toca, Gustavo vai atender. Ele
leva um susto.
Gustavo – quem é a senhora?
Antonia com os olhos marejados – eu
posso te dar um abraço?
Gustavo sem entender nada – pode...
Antonia abraça Gustavo, muito
emocionada.
CORTA PARA
Antonia e Gustavo estão sentados no
sofá, Antonia toma uma água com açúcar, está mais calma.
Gustavo – a senhora está melhor?
Antonia – estou sim. Você é muito
gentil.
Gustavo – até agora a senhora não
me disse quem é.
Antonia – me desculpe. Meu nome é
Antonia. Você não me conhece, mas eu te conheço e eu
gostaria de te levar até a minha casa, eu queria te
falar uma coisa muito importante.
Gustavo – e por que não fala aqui
mesmo?
Antonia – tem que ser na presença
de uma outra pessoa.
Gustavo – mas eu não conheço a
senhora, não posso sair assim...
Antonia – confie em mim. Eu jamais
te faria mal. Conheço seus pais, não sabe como eu te
adoro...
Gustavo – acho que não terá
problema, vamos então!
(CENA 6 – PRISÃO/INT./NOITE)
Carolina chega até a cela onde
Ernesto está. Ernesto se surpreende.
Ernesto – Carolina? O que você ta
fazendo aqui?
Carolina – eu vim te ver. Vim te
dar os parabéns. Você tomou a atitude certa, Ernesto.
Ernesto – eu sei, minha consciência
não me deixava em paz...
Carolina – eu quero que você saiba
que ganhou uma amiga, eu vou te ajudar a se regenerar
quando você sair daí.
Ernesto – eu sou um caco, não
mereço sua amizade.
Carolina – não fala assim, eu gosto
muito de você, Ernesto, e eu quero te ajudar. Você é uma
pessoa maravilhosa...
Ernesto sorri.
(CENA 7 – CASA DE
RODRIGO/INT./NOITE)
Gustavo e Antonia chegam.
Gustavo se admira com o tamanho e o
luxo da casa.
Gustavo – nossa, que casa bonita a
senhora tem dona Antonia!
Antonia sorri.
Gustavo – mas... Já estamos aqui,
pode contar o que a senhora queria contar.
Antonia – precisamos esperar alguém
chegar, lembra?
Gustavo – ah sim.
A porta se abre, quem entra é
Rodrigo. Rodrigo se espanta ao ver Gustavo em sua casa.
Gustavo surpreso – RODRIGO? O que
você ta fazendo aqui?
Rodrigo – eu que pergunto o que
você ta fazendo aqui, seu intruso. Essa casa é minha.
Antonia – eu sou mãe do Rodrigo,
Gustavo.
Rodrigo – mãe, o que esse cara ta
fazendo aqui? Agora você deu pra trazer marginal pra
dentro de casa?
Gustavo – eu não sou marginal!
Antonia – Rodrigo, eu preciso
contar uma coisa importante aos dois.
Rodrigo se dirigindo a Gustavo –
SAI DA MINHA CASA, AGORA! VOCE NÃO É BEM VINDO AQUI!
Antonia grita – RODRIGO, PÁRA COM
ISSO! DEIXA EU FALAR.
Gustavo – fala logo, dona Antonia,
porque a senhora que me desculpe, mas o seu filho é
insuportável.
Antonia – Gustavo há muitos anos
atrás eu tive um romance com seu pai. Foi uma história
de amor incrível, maravilhosa, mas eu já estava noiva do
Paulo e não queria me separar dele, minha família ficava
fazendo pressão para me casar com ele e eu acabei me
casando. Só que esse romance com o Carlos gerou um
fruto, um fruto antes de eu conhecer o Paulo e eu, com
grande dor no coração, acabei entregando essa criança
pro Carlos cuidar. Ele e Adriana se conheceram e
acabaram criando essa criança como filho legítimo.
Gustavo – já entendi tudo...
Rodrigo – que história é essa?
Antonia – durante esses anos eu
nunca me separei do Carlos, sempre o amei e esse amor
gerou mais um fruto, só que eu já estava casada com o
Paulo e acabei dizendo a ele que o filho era dele, nem o
Carlos sabia, a pouco tempo que ele descobriu que é pai
do meu outro filho. E essas crianças são vocês, Rodrigo
e Gustavo. Vocês são irmãos.
Gustavo, emocionado, fica com os
olhos marejados. Antonia chora. Rodrigo olha espantado
para Antonia.
Rodrigo – que isso? Que palhaçada é
essa? É uma brincadeira, não é? DIZ QUE É UMA
BRINCADEIRA! EU NÃO POSSO SER IRMÃO DO MEU PIOR INIMIGO!
(Encerra com a música Manhãs de
setembro – Vanusa)